MARIANA HALMEL*
Como jornalista, sempre valorizei a busca por fontes de informação confiáveis. Inclusive, para mim, jornalismo era algo totalmente inerente a jornais, revistas, emissoras de rádio e de TV (offline e online). Contudo, em pouco tempo, o acesso às notícias mudou drasticamente.
Hoje, as redes sociais se tornaram uma das principais formas de comunicação entre milhões de pessoas ao redor do mundo. E, embora diplomas e registros profissionais continuem importantes, o cenário atual demanda ainda mais.
Afinal, é preciso realizar uma verificação constante e criteriosa das informações que consumimos e compartilhamos. Sobretudo pelo impacto que as notícias falsas disseminadas por plataformas como Facebook, Instagram, Twitter, TikTok e WhatsApp trazem ao nosso cotidiano.
Convergência de meios
Então, se antes as notícias estavam associadas a jornais, revistas, rádio e TV, hoje esses mesmos veículos de comunicação também estão presentes e ativos nas redes sociais. Justamente porque eles entenderam a importância de estar onde o público está. Inclusive, inquestionavelmente, o leitor/ouvinte/espectador não é mais apenas um agente passivo. Mas, sim, parte ativa da comunicação, comentando, compartilhando e influenciando a produção de conteúdo.
Com isso, o WhatsApp, por exemplo, já se consolidou como uma ferramenta crucial para o compartilhamento de notícias. Do mesmo modo, Instagram e Twitter são usados para a disseminação ágil de informações. Assim, não são mais só selfies e memes que dominam o feed. Agora, as redes sociais se tornaram espaços de atualização e interação constante. Diante disso, veículos de imprensa precisaram adaptar seu conteúdo para o formato dinâmico de cada uma dessas plataformas.
Mais do que facilitar o acesso à informação, essa convergência de mídias também permite que as notícias se espalhem em questão de minutos. Principalmente a partir do poder de engajamento e de um alcance sem precedentes. No entanto, é preciso lembrar que essa velocidade funciona tanto para os fatos quanto para boatos e desinformação.
Desafios da desinformação e a importância da verificação
Desde 2020, estudos como os da Socialbakers e Reuters Institute Digital News Report reforçam que as redes sociais seguem ganhando espaço como principais canais de acesso à informação. Porém, com isso, surge um desafio crucial: como separar o verdadeiro do falso em meio a tanto conteúdo compartilhado?
Aliás, a facilidade de postar e compartilhar algo na rede faz com que qualquer pessoa possa atuar como um “repórter”. Sem, necessariamente, seguir padrões éticos ou profissionais. A consequência é um aumento no volume de notícias falsas e enganosas, que podem influenciar o debate público e gerar grandes prejuízos sociais.
Como se não bastasse, a própria estrutura das redes, movida por algoritmos, acaba reforçando as visões que já temos. Para isso, cria bolhas de informação baseada em conteúdos que refletem nossas opiniões e preferências. Assim, a melhor saída, acaba sendo adotar um comportamento mais crítico: seguir perfis que ofereçam diferentes perspectivas, checar fontes e investir tempo na leitura de veículos com linhas editoriais distintas. Afinal, a pluralidade de opiniões é importante para formarmos uma visão mais equilibrada da realidade.
Como avaliar as fontes de informação?
No fundo, o jornalismo continua a desempenhar um papel essencial na sociedade: coletar dados, editar e distribuir informações relevantes. No entanto, o ambiente digital impõe novos desafios para o jornalista. Além de apurar, ele deve ser um curador da informação, ajudando a desvendar o que é notícia, de fato, e o que é desinformação. Ao mesmo tempo, isso também vale para todos os usuários das redes sociais. Principalmente para empresas, que têm sua reputação como um de seus maiores ativos.
Compartilhar informações sem verificar a veracidade pode comprometer toda a credibilidade construída ao longo do tempo. Por isso, é fundamental que empresas de qualquer setor atuem como fontes de informação confiáveis, oferecendo conteúdo preciso e relevante para seu público. Afinal, ser um porto seguro de conteúdos verificados não apenas protege a imagem da marca, mas também fortalece a relação de confiança com seu público.
Se antes confiávamos exclusivamente nos veículos tradicionais, hoje, ao consumir conteúdo nas redes, devemos ter a mesma atenção. Ou seja: é fundamental verificar suas fontes de informação. Para isso, veja se outros veículos ou pessoas idôneas estão replicando aquela notícia, e esteja atento ao sensacionalismo. Outra maneira de confirmar ou desmentir o conteúdo de suas fontes de informação é a partir de plataformas de checagem. Como, por exemplo, Lupa, Aos Fatos, Boatos.org e Agência Pública.
Juntos por uma sociedade mais crítica e bem-informada
Sem dúvidas, os jornalistas também precisam se adaptar a essa nova realidade, ampliando seu papel. Muitos já atuam em blogs, canais no YouTube ou outras plataformas digitais, onde compartilham conteúdos especializados e dialogam diretamente com o público. Assim, não só informam, mas também contribuem para a formação de uma sociedade mais crítica e bem-informada. Seja a partir de informações institucionais ou de conteúdos especializados que podem ser úteis ao dia a dia do consumidor.
Nesse aspecto, o jornalista se transforma em assessor de imprensa. Assim, passa a intermediar a relação entre as organizações, seus públicos e até mesmo com outros profissionais de comunicação. Desse modo, ajuda a desvendar o valor-notícia de cada fato para torná-lo interessante a todos os públicos.
Depois de identificar como determinado assunto pode conquistar importância, basta traçar um plano de divulgação. Afinal, é possível trabalhar diferentes abordagens da narrativa para atrair a atenção de diferentes públicos e canais de informação. Então, a partir das melhores estratégias, conseguimos estabelecer uma comunicação mais eficiente em qualquer meio, seja ele físico ou digital.
As agências de comunicação em tempos de ChatGPT
Nesse contexto, as agências de comunicação representam uma estratégia sólida para assegurar que seus representados entreguem conteúdo relevante, qualificado e confiável. Afinal, cabe a elas buscar as maneiras mais corretas e certeiras de estabelecer a comunicação e uma relação próxima com diferentes públicos.
Aliás, vale ainda mencionar o uso da inteligência artificial para a criação de conteúdos informativos e publicitários. Pois, com a popularização do ChatGPT, muitas empresas estão apostando nele para criar suas peças e materiais. Porém, mesmo com toda a praticidade, é preciso manter a atenção com as entregas da inteligência artificial. Sobretudo porque os algoritmos também podem cometer erros.
Além disso, por meio da IA também há grande risco de ocorrer desinformação. Se os dados usados para treinar o ChatGPT forem imprecisos ou desatualizados, é possível que ele produza informações incorretas, incompletas ou distorcidas. Consequentemente, isso pode comprometer a credibilidade de qualquer marca.
Outras desvantagens da ferramenta são a falta de originalidade, de empatia, de emoções e entendimento cultural. Assim como a padronizado e repetição de fórmulas e estilos textuais, o que prejudica a diferenciação das empresas no mercado. Então, tudo isso reforça a importância da supervisão humana e da verificação para garantir qualidade e autenticidade de informações.
Por isso, não esqueça! Verificar, questionar e buscar diferentes fontes de informação são passos fundamentais para evitar cair na armadilha da desinformação e das fake news. Afinal, a agilidade da comunicação deve sempre ser acompanhada pela responsabilidade na disseminação dos fatos.

